domingo, 9 de janeiro de 2011

Reflexões sobre o irmão do filho pródigo.

Normalmente quando lemos a Parábola do Filho Pródigo descrita em Lucas 15.11-32, somos imediatamente levados a refletir a respeito da atitude do filho mais novo que pediu antecipadamente a sua parte da herança e partiu para uma terra longínqua. Lá, ele gastou tudo o que tinha nos prazeres da vida.
Com este rapaz aprendemos que nunca devemos ficar longe do Pai, que existem amigos que se aproximam de nós apenas por interesse, que a vida não é tão fácil quanto parece, etc. Mas aprendemos também que devemos reconhecer os nossos erros, aprendemos que o caminho do perdão é sempre a melhor escolha e, por fim aprendemos que este mesmo rapaz trouxe grande alegria ao pai quando retornou para casa depois de muitos anos e encontrou o seu pai de braços abertos. Foi uma grande festa.
Parece tudo normal até ai... e eu ví, durante toda a minha vida os pregadores do evangelho enfatizarem a má conduta do filho mais  novo. Não quero, não posso e não devo discordar disto. Quero apenas refletir sobre a atitude deshonrosa, implacável e sem nenhuma misericórdia demonstrada pelo filho mais velho.
Este justificou ao pai os seus direitos por nunca ter cometido pecados, nunca ter abandonado a casa do pai. Parece muito com a atitude de extrema santidade que encontramos em algumas pessoas dentro de nossas igrejas hoje em dia.
Vamos ao texto que descreve esta atitude do filho mais velho (Lucas 15.25-32):
E o seu filho mais velho estava no campo; e quando veio, e chegou perto de casa, ouviu a música e as danças.
E, chamando um dos servos, perguntou-lhe que era aquilo.
E ele lhe disse: Veio teu irmão; e teu pai matou o bezerro cevado, porque o recebeu são e salvo.
Mas ele se indignou, e não queria entrar.

E saindo o pai, instava com ele. Mas, respondendo ele, disse ao pai: Eis que te sirvo há tantos anos, sem nunca transgredir o teu mandamento, e nunca me deste um cabrito para alegrar-me com os meus amigos;
Vindo, porém, este teu filho, que desperdiçou os teus bens com as meretrizes, mataste-lhe o bezerro cevado.
E ele lhe disse: Filho, tu sempre estás comigo, e todas as minhas coisas são tuas;
Mas era justo alegrarmo-nos e folgarmos, porque este teu irmão estava morto, e reviveu; e tinha-se perdido, e achou-se.

Eu entendo que o filho mais novo seguiu um rumo um tanto comum em nossos dias.São inúmeras as histórias que conhecemos de filhos que contrariaram aos ensinamentos dos pais e entraram por caminhos que os levaram à destruição.
Quantos erros não cometemos durante a nossa caminhada? Quantos pais que criaram seus filhos da melhor maneira que podiam e mesmo assim os viram serem envolvidos pelos caminhos das drogas, crimes, falsos amigos, etc?
Qual de nós pode dizer que nunca cometeu pecados? E muitos deles até pecados graves?
O que me assusta dentro de nossas igrejas é me deparar com pessoas completamente desprovidas de amor e revestidos de uma falsa santidade que até incomoda.
É muito fácil encontrar pessoas que são crentes fervorosos apenas dentro da igreja mas não conseguem dar testemunho de crente nem mesmo aos da sua própria família.
Mais fácil ainda encontrar pessoas que são crentes apenas dentro da igreja mas que em todo o tempo restante são transparentes.
Quantas pessoas assumiram o papel de juízes e estão apontando os erros e fracassos dos outros.
Os ensinamentos de Jesus Cristo sempre foram recheados de amor e perdão. Os seus discursos sempre fizeram menção ao diálogo, à franqueza e à misericórdia.
Porque então insistimos em julgar as pessoas com o rigor da lei?
Porque será que é tão difícil dar a alguém uma segunda, terceira, infinitas chances? Porque será que quando temos a razão ao nosso lado é tão mais fácil condenar do que absorver?
Porque é tão fácil criticar a quem perdoa?
Frases como esta tem se tornado rotina em nosso vocabulário:
  • "Você é um trouxa! Eu jamais perdoaria", 
  • "Depois de tudo que ele fez por você, você o perdoou?" 
  • "Não acredito que você deixou isto barato. Ah, se fosse comigo!"
  • "Eu não levo desaforo para casa."
  • "Esta agora foi demais! Jamais vou conseguir perdoar"
  • "Depois de tudo que aprontou, você acha que pode voltar assim, e tudo bem?"
Se estas frases têem sido realidade na sua vida, sinto muito informar: você não tem um coração cheio de amor.
Em outras palavras, você pode estar agindo de acordo com  o coração do irmão do filho pródigo.
Convido você a refletir qual tem sido a sua postura diante de fatos e pessoas que a vida tem te apresentado, a refletir se você está com o coração realmente aberto ao evangelho de Cristo.
Se você tem criticado ao seu líder religioso pelas chances que ele tem dado à pessoas que você sabe que não merecem, cuidado!
Você pode estar agindo de acordo com  o coração do irmão do filho pródigo.
Se você tem criticado as decisões que o seu  líder religioso tem tomado simplesmente porque nao conferem com os padrões que você aprendeu, cuidado!
Você pode estar agindo de acordo com  o coração do irmão do filho pródigo.
Se você sente dificuldades em perdoar as pessoas pelos erros que elas cometem, cuidado!
Você pode estar agindo de acordo com  o coração do irmão do filho pródigo.
Tente ter uma atitude diferente, tente exercitar o perdão por mais vezes, ame com mais intensidade, dê sempre mais uma chance a quem comete algum erro, permita que Deus possa usar você como canal de bênçaos para aqueles que precisam de ajuda, permita que seu coração esteja aberto para receber o filho mais novo que fugiu de casa mas que arrependeu-se e quer voltar.
Pr Helio Morais

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