quarta-feira, 7 de setembro de 2011

O Homem e o rio.

Havia um  homem apaixonado por um rio, gastava longas horas vendo suas águas a passar,  carregando em seu dorso suave folhas e histórias das cidades acima e isto dava  felicidade.
Sua grande  alegria era quando chegava a tarde, depois do trabalho ele ia correndo para o  rio, pulava uma cerca e ficava lá em uma prainha, com os pés mexendo nas areias  grossas, bem embaixo de um velho ingá.
Falava  muito, confidenciava segredos, dava gargalhadas, nunca ia embora, enquanto  houvesse luz e por muitas vezes só se deu conta que era noite quando a lua  ladrilhava de prata as águas do rio.
Ficava lá,  remoendo lembranças, indo para o futuro em sonhos. Seus olhos eram rio. O rio  passeava com suas águas amigas em seus olhos, como em nenhum outro. Ambos  pareciam ter nascido para ser daquele jeito, nunca sem o outro, a unidade de  almas. Dizia o homem: - amor pra toda vida consentia o  rio...
Porém, um  dia, o céu escureceu. Nuvens cobriram a terra a chuva desabou sobre o mundo. A  cabeceira do rio foi enchendo e logo tudo virou correnteza. Árvores foram  arrancadas. folhas deram lugar aos galhos
pesados, estes arranhavam tudo o que  encontravam, as barrancas desmaiavam e sumiam devoradas pela fúria das  águas.
O rio  cresceu, ultrapassou as margens, derrubou cercas, foi crescendo até chegar na  casa do homem da história e destruiu tudo o que encontrou. Avançou o jardim, margaridas e rosas desapareceram, entrou porta adentro com as mãos cheias de  lama. Apagou o fogo no velho fogão a lenha, tudo ficou  destruído.
Quando veio  o sol, veio também a desolação. Tinha que recomeçar e como é difícil recomeçar.  Fez o que pôde, sem olhar em direção ao rio. Seu peito era uma amargura só. Sua  cabeça não ficava em silêncio. Só pensava no que iria dizer. Então  falou:
- Por  quê? Por que fez isto? Eu confiava em você, tinha certeza que isto não iria  acontecer, não conosco. Havia muito amor entre nós, amor que não merecia acabar  assim. Não é só a lama que está no jardim, é a confiança que nunca mais será confiança, o amor que nunca mais será amor, é o adeus que será para sempre  adeus.
Foi inútil o  rio tentar explicar. Nunca mais se encontraram. Nunca mais a lua cantou naquele lugar e as águas daquele rio, como o coração daquele homem, nunca mais  foram os mesmos.
O homem  mudou-se para muito longe e o rio, quando passava por lá, tentava não olhar...  mas sonhava, bem dentro, em suas águas mais profundas, um dia ver ali, debaixo  do ingá, quem nunca deveria ter ido embora.
Estas  palavras falam por si. Temos tendência a esquecer facilmente os bons momentos e damos uma eternidade para as lembranças negativas. Esquecemos as conversas onde só o coração fala e perdemos tardes lindas de amor, abraços apertados,  aconchego... por não querer relevar. Não querer lutar um pouco mais. Às vezes  temos quase tudo e por causa de 1%  perdemos 99%. Já viram como sempre ficamos  presos a este 1%?

Guardamos  sempre a imagem da casa destruída, mas negamos dar vida ao rio iluminado. Esquecemos toda uma vida de encanto e só lembramos as marcas da ferida. Há muita gente vivendo assim. Esquecendo que o amor ajuda a suportar as tempestades da vida e só o amor pode fazer o rio voltar a passar na porta da sua  casa.
Deus em seu  infinito amor, nos dá todo o bem e as bençãos durante uma vida inteira, e basta  um dia de aflição, para apagarmos da nossa mente tudo o que ele fez por nós. Não  esqueça das coisas lindas que Deus já lhe fez e lhe irá fazer. Não deixe que  pequenas porcentagens de desolação, venham destruir dentro de você o amor que  você tem por Ele. Você já pensou se Deus desistisse de você por causa de um erro seu?

Autor Desconhecido

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