terça-feira, 28 de junho de 2011

Aventura na Pedra Branca - Caldas (Minas Gerais)

São 10 horas da noite. Um frio cortante e um vento constante dão a sensação de que estamos no lugar mais frio do planeta. Blusas, luvas, cachecóis, toucas, etc, não são suficientes para aquecer o frio intenso que assola o alto da montanha neste momento O alto da Pedra Branca está iluminado apenas por uma pequena fogueira alimentada por alguns gravetos. De repente uma olhada para o céu e pronto. Estava recompensado todo o esforço para alcançarmos o alto da Pedra Branca. Um céu limpo e estrelado, uma sensação de liberdade e alívio por alcançarmos o nosso objetivo depois de 5 horas ininterruptas de caminhada.
Foi um desafio e tanto. Gostaria de dividir com vocês esta experiência inesquecível.
Para isto, vou tentar dividir em alguns capítulos para não me perder na narrativa.
A viagem
Saímos de são José dos Campos às 5:30 h da manhã em direção à cidade de Caldas (Minas Gerais) de onde havíamos programado para escalar o Morro da Pedra Branca., uma montanha à 1800 m acima do nível do mar, cerca de 600 m acima da cidade de Caldas.
Pelo caminho íamos discutindo e tentando entender o que significava aquela aventura. O coração estava acelerado, uma mistura de ansiedade e dúvida. Era um grande desafio a ser vencido. Chegamos à cidade por voltas das 10:00 h da manhã e fomos tratando logo de organizar a bagagem. Tudo precisava ser reduzido ao mínimo já que a subida não seria fácil (não posso me esquecer que não tenho mais 20 anos de idade!).
Fizemos um aquecimento, alongamento e também uma oração para agradecermos a Deus pela viagem que fizemos.
A subida
Mochila nas costas e iniciamos a caminhada. A bagagem não parecia tão pesada. Carregávamos as barracas para o acampamento, colchonetes, sacos de dormir, roupa de frio, uma pequena quantidade de água, coisas assim. Todos estavam eufóricos. De onde partimos era possível enxergar o nosso objetivo, uma montanha de aspecto majestoso que se destacava pela altura e desenho bem definidos. Não parecia tão distante. A impressão era de que não seria tão difícil quanto haviam comentado. Era só impressão, assim como também era impressão de que a bagagem estava leve. A subida era forte e, logo no início o peso começou a demonstrar que não seria fácil resistir a tão longa caminhada. Da mesma forma, a montanha que parecia perto  ia se distanciando à medida que subíamos a trilha. A sensação era  de que quanto mais andávamos mais distante a montanha ia ficando.
A paisagem era deslumbrante. A cada passo uma nova descoberta. A máquina fotográfica em punho
registrava cada detalhe da paisagem que deixávamos para trás. A cidade de Caldas ia ficando cada vez mais distante a ponto de as pessoas parecerem minúsculas. A cada sombra que encontrávamos pelo caminho era motivo para uma parada e um gole de água. A cada passo que avançávamos era um passo a menos em direção à nossa grande conquista. Aos poucos percebemos que a intensidade da caminhada já não era como no início, a respiração ia se tornando ofegante e os passos cada vez mais lentos. As forças iam diminuindo à proporção que avançávamos pelo caminho. Preciso repetir: a paisagem era incrível, a cada curva um click.
A chegada.
Depois de 4 horas de caminhada finalmente avistamos o cume da montanha. Agora sim, estávamos bem pertinho. Era só impressão. Ainda tivemos que reunir forças para vencer a última etapa que levou ainda mais uma hora.
Chegamos ao alto já exaustos. Também pudera, cinco horas de caminhada com toda aquela bagagem era uma tarefa que revelou-se quase impossível de ser cumprida. Estávamos todos felizes por vencer aquela etapa da aventura. Aprendemos algumas lições importantes como a ajudar uns aos outros e vencer obstáculos em equipe. Eram quase 5 horas da tarde e ainda tínhamos muita coisa a ser feita antes do pôr-do-sol. As barracas precisavam ser montadas, precisávamos encontrar gravetos e lenha para a fogueira, organizar as roupas que seriam usadas à noite, preparar o lugar da refeição, etc. Já era previsto que seria muito frio e escuro.
O Pôr-do-sol
Em meio a todas as atividades uma coisa jamais poderia ser esquecida: uma longa pausa para assistir ao pôr-do-sol naquele local tão privilegiado. Dito e feito. Fizemos uma pausa e fomos assistir a um espetáculo inesquecível. Longe, muito longe nos horizonte o Sol ia se tornando avermelhado e perdendo intensidade. Que coisa linda. Ainda bem que inventaram a máquina fotográfica digital. Foram inúmeras fotos que tiramos daquele momento tão lindo. Percebemos que velocidade o sol se pôs. Em instantes vimos a escuridão tomar conta do lugar transformando a paisagem outrora tão linda e admirável e um buraco escuro e frio. Era a noite que vinha tomando conta do lugar.
O frio começava a aparecer. Era hora de corrermos para junto da pequena fogueira que estava timidamente acesa perto das barracas. Foi uma alegria, um momento de comunhão e amizade. Aquecemos a água para preparar a sopa (era a janta), assamos batata-doce, e ficamos ali curtindo aquele momento tão único na nossa vida.
A noite
A noite ia avançando e o frio cada vez mais intenso. Aos poucos os jovens foram se recolhendo para as barracas para um merecido descanso. Era quase meia-noite e, da barraca onde estava deitado eu ouvia apenas alguns poucos corajosos conversarem próximo a fogueira enquanto admiravam a beleza da noite estrelada.
Era quase impossível dormir, parte pela alegria que invadia o meu coração, parte pela expectativa de assistir ao nascer do Sol. Aos poucos o frio e o sereno da noite venceram a fogueira e enfim fomos vencido pelo sono e o cansaço. O silêncio era absoluto no alto da Pedra Branca.
O nascer do Sol
Eram cinco horas da manhã quando fomos despertados porque ao horizonte já era possível ver uma pequena luminosidade anunciando o nascer do Sol. Não foi muito fácil sair da barraca. A sereno da noite havia espalhado uma fina camada de água por todos os lados. Estava muito frio e foi preciso muita coragem para deixar o interior da barraca que, apesar de não ser quentinho estava bem melhor que do lado de fora.
Ainda tivemos que esperar quase uma hora e meia para que o Sol finalmente aparecesse.
A máquina fotográfica estrategicamente posicionada ia registrando cada mudança sensível da coloração que se alternava entre um azul escuro e um tom meio avermelhado.
Pouco tempo depois era possível ver o planeta Mercúrio que despontava no horizonte anunciando que o Sol já estava chegando.
Foi a primeira vez que vi este planeta de uma forma tão nítida e clara. Tiramos uma infinidade de fotos.
De repente lá estava ele: o tão esperado astro maior do sistema solar. Começou tímido no horizonte transformado aquele tom azul escuro em uma mistura de azul, amarelo e vermelho. Não imaginava que era tão lindo. O Sol foi subindo rapidamente até que, aquele pequeno ponto avermelhado no horizonte se transformou em uma enorme bola vermelha de uma beleza indescritível.
Não demorou muito e já não era possível mais olhar para o Sol. Aquele há poucos instantes era uma bola vermelha adquiriu um brilho muito intenso e começou a aquecer todo o acampamento.
O amanhecer
A visão era maravilhosa. O Sol no horizonte aos poucos ia revelando um vale agora coberto por uma densa camada de neblina. Parecia um tapete branco e macio. O cume de algumas montanhas mais baixas, iluminado pelos raios solares, fazia um contraste incrível. De todos os lados era possível vislumbrar um emaranhado de cores que se alternavam entre tons de ferrugem provocado pelos raios solares e a neblina que ia aos poucos se dissipando. Neste momento ainda não era possível avistar as cidades localizar no em torno da montanha., ainda seriam necessários alguns minutos para que o sol dissipasse a neblina. Enquanto isto estávamos todos ali contemplando aquela paisagem pitoresca e única. Uma visão privilegiada do extremo cuidado de Deus ao criar a natureza. A visão era de tirar o fôlego.
A descida
Apesar de tanta beleza e de não termos vontade de sair dali nunca mais, era hora de começar a pensar
na volta. Aliás, seria um outro desafio, a descida seria feita pelo outro lado da montanha rumo à cidade de Pocinhos do Rio Verde. Improvisamos uma outra pequena fogueira para aquecermos a água para um café da manhã. Era um chazinho e uma sopa que havia sobrado do dia anterior. Ainda sobraram algumas bolachas que foram também imensamente apreciadas.
Estava na hora de desmontarmos o acampamento e iniciar o caminho de volta.
Dizem que "para descer todo santo ajuda". Conversa fiada, logo nos primeiros passos sentimos a dificuldade que seria chegar ao destino final. Era preciso muito cuidado para não escorregar e cair nas pedras. Foram três longas horas e algumas paradas para abastecer as garrafas de água antes de chegarmos é estradinha que nos levaria à cidade. Os comentários eram de grande alegria e satisfação pela etapa cumprida. Mal sabíamos que o desgaste da subida ainda nos pesaria muito até chegarmos à Pousada que nos aguardava com um almoço muito especial.
De vez em quando a nossa atenção era desviada para alguns carros que passavam pela pequena estradinha. Será que alguem iria parar e oferecer uma carona? Não deu outra, ví quando a Gisele praticamente se lançou  à frente de um Uno que vinha em baixa velocidade e pediu carona. O motorista parou e levou algumas meninas e também a bagagem que a esta altura parecia pesar quase um tonelada. Depois de cinco horas e muito desgaste finalmente chegamos à pousada.
Depois do almoço, após um breve descanso, fomos andar na cidade de Pocinhos do Rio Verde. Conhecemos o Balneário Municipal e algumas fontes medicinais.
O dia seguinte
Depois de uma noite de sono recuperadora no aconchego da Pousada fomos despertados para mais um dia de diversão. Logo cedo um café da manhã nos aguardava. Tudo de bom..... pão com manteiga na chapa, queijo, bolo, geléias, etc, tudo preparado no fogão à lenha que estava à nossa disposição.
Ainda tivemos um dia muito agitado com passeio na cachoeira (a água estava muito fria!), conhecemos um fábrica artesanal de farinha de milho, visitamos um laticínio, subimos o Morro do Galo, etc. Para não ficar muito extenso prefiro sugerir que você veja o Álbum de Fotos (Acampamento Pedra Branca) que preparamos com muito carinho.
A volta
No caminho de volta para casa vínhamos refletindo sobre tudo o que aconteceu e o que vimos no final de semana. Nosso coração estava alegre não somente por termos vencido um desafio enorme mas porque a amizade entre os jovens foi extremamente fortalecida. Vínhamos agradecendo a Deus porque não tivemos nenhum incidente, porque Deus nos havia proporcionado um fim de semana excepcional.
Uma coisa me chamou a atenção: estávamos em carros separados mas o sentimento era o mesmo. Os jovens assumiram compromisso de serem melhores, de fazerem muito mais para Deus, de realmente se colocarem à disposição de Deus para fazerem a diferença em nossa geração. Foi algo maravilhoso.
Espero ter outras oportunidades de estarmos juntos para vencer outros desafios, tendo a certeza de que tudo o que fazemos ou pensamos de servir para que o nome do Senhor seja glorificado através da nossa vida.

Dentro de poucos dias vamos disponibilizar também um vídeo no Youtube com as fotos e uma edição especial da sequencia de fotos do nascer do Sol.

Deus abençoe a todos.

Abraço.

Pr Helio Morais

10 comentários:

  1. esse passeio foi realmente espetacular , nunca sairá dos nossos corações nem da nossa memória

    Jéssica Morais

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  2. Pessoal: deve ter sido muito maravilhoso e abençoado este passeio! ano que vem quero estar com voces!Deus abençoe a todos!
    Agora...Alexandre!!!!! o que era aquilo que voce carregava nas costas??????vai me dizer que era seu lanchinho!!!!

    Samirinia

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  3. Era sim Samira....o meu e o da Gisele...kkkkk
    O passeio foi incrivel...foi manto puro....

    Alexandre

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  4. é inexplicavel o amor de Deus por nós.....Foi lindo!!!
    Que o elo de amizade criado produza frutos, que as benção de Deus sejam derramadas sobre nosasa vidas...
    Obrigado IEB por nos porporcionar momentos maravilhosos!!
    AMO VCS!!!
    GISELE

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  5. Fooi muuito bom, esse passeio foi mais uma prova de que , apesar de acharmos que não iremos conseguir, nós sempre encontramos forças pra continuar! Foi muuito bom ter essa sensação! (:

    Jéssica Laís

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  6. Esse passeio mudou totalmente a minha vida ..
    desci com a benção !!!!!
    e isso foi apenas o começo ..
    aguardem ..

    Andressa Araújo

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  7. Pessoas de coragem, otimistas, bem humoradas, confiantes e crédulas, vejo vocês assim e sinto um ponto de inveja por serem assim. Acho que o tempo me acovardou.
    Gerson Ragagnan

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  8. boa tarde amigo, estou pensando em fazer esse passeio, mas não consigo encontrar uma mapa (tracklog), nem mesmo alguém explicando a entrada da trilha. Você teria alguma informação a respeito para compartilhar ? abçs

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    1. Obrigado pela sua visita,,,a melhor opção da Pedra Branca é pela cidade de Caldas...=e um caminho bem conhecido e tranquilo, existem até pessoas que fazem o transporte de carro até uma fazenda que fica no alto do morro.... encurta um pouco a distância... minha dica é chegar até a cidade de Caldas e conseguir um guia... boa diversão... vale a pena...

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  9. Para os apaixonados pela Pedra Branca:

    https://www.youtube.com/playlist?list=PLHHv0mi2b_kQCzsW_PsO2BVTKHJvc30Hk

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